Mas e eu com isso?

A minha vida nunca foi um mar de águas tranquilas, mas desde janeiro a maré é de pura ressaca. Em 2009, quando minha mãe resolveu tocar a vida dela e casar novamente eu já sentia que as coisas iam sobrar para mim. O problema maior não foi ela casar, mas sim largar nossa casa no interior e ir morar em São Bernardo dos Campos. A pergunta foi: e a minha irmã, de 15 anos? Minha mãe disse: Ela vem morar comigo ou vai morar com você. OK.

Então ela veio morar comigo. Na época eu ainda divida uma kit com uma amiga, mas o espaço ficou pequeno e os meus planos de alugar um apartamento anteciparam-se. Mas alugar não é fácil e nem barato. E se o combinado não sai caro, como diz o ditado, no meu saiu.

O acordo com minha mãe sobre a divisão das despesas parecia certo. Dois meses de procura, mas uma ajuda dos amigos para conseguir o seguro fiança, móveis e louça e, enfim, um canto.

Então fomos, minha irmã e eu felizes para o apartamento novo. Felizes? Ela sim, eu não!

Minha irmã teve uma criação completamente diferente da minha, bajulada pelos pais, teve tudo nas mão. Eu não! Tive que batalhar atrás dos meus sonhos e da minha satisfação. Hoje, formada, dedico isso a mim, só a mim!

Sempre acreditei que quando temos sonhos precisamos correr atrás, assim como ninguém sonha nossos sonhos, ninguém os realiza por nós! É justamente isso que tento passar à ela, mas acho que não está funcionando.

O sonho dela era trabalhar no MC Donald’s, ela foi. Ficou uma semana e disse que odiava trabalhar lá. Aos prantos me perguntou se poderia sair! Claro, eu disse, como poderia deixar minha irmãzinha ser escrava em um lugar daquele? Mas espera! Eu avisei não? Sim, eu avisei.

Mais dois meses procurando outro emprego/estágio tive que fazer terrorismo (no meu pensar, mas realidade nas nossas condições) para conseguir outro urgente. Briguei e ameacei mandar ela ir morar com minha mãe.

Enfim, ela conseguiu algo. Não é emprego dos sonhos, mas aos 16 anos quem tem o emprego dos sonhos? Então ela começou, gostou e, agora, duas semanas depois, já odeia.

Como assim odeia? Eu trabalhei por três anos em uma loja de celular na 25 de Março, de segunda a segunda, com todo o estress e medo que só aquela região consegue ter, mas agüentei. Foi dali que tirei minha sobrevivência, foi dali que comecei minha faculdade, foi ali que fiz amigos incríveis, mas foi dali, principalmente, que aprendi o valor do trabalho, do dinheiro e da necessidade.

Hoje, quando minha irmã me mandou uma mensagem dizendo que não quer mais ficar no trabalho e que precisa da minha ajuda, pensei: mas e eu? Quem ajuda? Ninguém como sempre.

E desde que comecei a terapia vi o quanto me boicotava, o quanto abraço o mundo por insegurança de não ser querida e amada, mas definitiva não preciso disso. Não preciso me afundar no poço do saldo negativo para proporcionar à minha irmã uma vida confortável e segura.

Não sou mãe dela e não posso evitar que ela sinta dor, que quebre a cara, pois ninguém evitou as minhas.

Se eu disser, que a decisão, se ela não ficar no emprego, de mandar ela pra minha mãe está sendo fácil vou mentir. Meu coração está apertado e minha vontade é de desistir, mas não posso.

Por que dessa vez, entre a alegria e a paz de alguém, eu escolho a minha!

A lição para esta semana é dizer não, ser egoísta e pensar em mim!

De coração apertado…

Belle

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24 de maio de 2010 at 11:00 AM Deixe um comentário

Recordações

Fotos, documentos, contratos, cartões, bilhetes em guardanapos…

E foi assim que me deparei outro dia com um passado. Já são quase 24 anos! Nossa, já?

E nesses anos todos foram tantos começos, fins, festas, aniversários, aulas, brincadeiras, caminhos, encontro e desencontros…

O que mais me despertou os pensamentos foram as pessoas! Quanta gente passou por minha vida e quanta gente saiu! Colegas da infância, da escola, do interior e, mais recente, da cidade grande.

Quando parei para refletir os motivos pelo qual me afastei de muitas pessoas me questionei se isso era só comigo ou era uma evolução natural da vida. É? Sinceramente não sei.

Acabei por me culpar. Lembro, por exemplo, de todas as vezes em que fui à minha cidade e deixei de visitar algumas amigas. De todas as vezes em que me deu vontade de ligar ou mandar um e-mail a velhos amigos e não fiz por ficar postergando.

Enquanto arrumava meu arquivo de documentos encontrei o contrato da faculdade e me lembrei de como estou afastada de vários amigos. O que mais doe é que isso aconteceu a menos de cinco meses após o fim.

E se a internet e a conectividade ilimitada nos faz reaproximarmos das pessoas, no meu caso não mudou nada. E se sei de alguns ainda sei alguma coisa é porque deduzo do que leio no twitter, no facebook ou nas fotos que vejo no Orkut.

Sinto tanta falta de várias coisas, momentos, conversas, festas e churrasco…

E a vida passa e mais uma vez levou junto várias pessoas. Por culpa minha talvez, mas só minha?

Enfim, o caminho segue, as pessoas passam, mas ficam as lembranças, as fotos e os contatos de e-mail…

Belle

4 de maio de 2010 at 9:32 AM Deixe um comentário

Help Me

Eu sempre tive uma grande dificuldade em pedir ajuda. Com o passar do tempo percebi que ser a pessoa que resolve tudo não é tão legal e que ser humilde para pedir um help pode ser a solução.

Tudo começou a mudar quando eu quase parei a faculdade porque não tinha grana para fazer o acordo das mensalidades atrasadas. Noites e mais noites sem dormir, chegava ao trabalho com os olhos vermelhos de tanto chorar. Estava apática e desabava no choro só pensar em contar a minha chefe que eu não poderia mais continuar naquele estágio que eu tanto gostava.

Um dia ela chegou e eu estava lendo os jornais e então comecei a chorar, pois tinha que contar. Chamada à sala de reuniões, não tive como escapar e fui sincera ao dizer que ia parar a faculdade porque não tinha dinheiro para fazer o acordo e continuar. Disse que já tinha pensando em todas as soluções possíveis. Ela me perguntou então se eu não tinha uma pessoa a quem pedir ajuda e eu prontamente respondi que não costumava pedir ajuda. Em lágrimas ouvi com alivio quando ela me disse que juntas arrumaríamos uma solução. Alguns dias depois a solução veio e eu pude continuar a faculdade.

Hoje, dois anos depois, formada percebo como compartilhar os problemas (digo compartilhar e não lamentar), pode ajudar.

Resolvi escrever sobre isso porque há poucas semanas precisei novamente de ajuda, mas não financeira e sim emocional. Cansada de tentar solucionar problemas estava a beira de um colapso de nervos tentando encontrar um  apartamento para minha irmã e eu.

Minha mãe resolveu transferir para minha a responsabilidade de cuidar da minha irmã de 16 anos e eu, prontamente, aceitei mais aquele problema para a felicidade das duas e desespero meu.

Nervosa e, de novo, sem conseguir dormir tive um dia tenso no trabalho. Após uma ligação da minha mãe, me desestabilizei, briguei com a estagiária da minha área e fui chamada à “sala da justiça”. Lá mais uma vez desabafei, disse que não agüentava mais tudo aquilo e eu estava a beira de um ataque de nervosos, isso com apenas 23 anos.

Mais uma vez, a mesma chefe, veio ao meu socorro. Graças a ela dei mais um passo e a ajuda agora vai ser maior. Há três semanas comecei a terapia que tanto relutei em fazer por falta de tempo, dinheiro e coragem.

E diante da terapeuta eu disse sim aquela ajuda. É difícil admitir que se precisa de ajuda desse tipo. É mais difícil ainda perceber que eu não me conheço tão bem como achava.

O trabalho está apenas no começo, mas já pude perceber o quanto, todos esses anos, eu agi de forma indiferente a mim.

Aquela que sempre gostou de ser vista como guerreira, corajosa e auto suficiente, na verdade sempre foi só, frágil e sensível por dentro.

Hoje, o difícil não é pedir ajuda, mas reconhecer e aceitar ser ajudada.

A busca pelo auto conhecimento continua. Chegou a hora de pensar em mim!

Belle

2 de maio de 2010 at 11:37 AM 1 comentário

Bonito, mas cruel…

Eu relutei um pouco em aceitar ir aquele encontro. Há anos não me estimulava a encarar algo semelhante, mas fui. Com muita insistência de uma amiga, que disse que eu não me arrependeria, eu fui.

No primeiro encontro um bate papo, olha aqui, olha ali. Aperta aqui, aperta ali, ok. Remarcamos para semana seguinte.

Sai de lá encantada com aquele sorriso, aquela pose e, principalmente, aquele sotaque mineirinho lindo. Ansiosa para o próximo encontro, mas com muito medo.

Chego 20 minutos atrasada, levo uma bronca, retribuo dizendo que na semana passada, ele tinha me deixado esperando 30 minutos.

Deito! Foi exatamente 1 hora de pura tortura, há tempos não me sentia tão mal. Ele disse: se tiver doendo me avisa que eu paro. E constantemente eu pedia para tomar um ar…

Calma, ele dizia, está acabando…

Terminado tudo aquilo, eu levanto arrumo o cabelo e a roupa e olho para aquele sorriso lindo…

Ele tem a cara de pau de dizer que nem doeu tanto assim e que das próximas vezes será mais fácil.

Respiro fundo e digo: há tempos um homem não me fazia chorar.

Ele olha a agenda e marca: próxima quarta, às 19h, ta bom pro cê?

Está sim. E saio do consultório do dentista, pensando como alguém tão lindo pode ser tão cruel…

Belle


23 de março de 2010 at 6:33 PM 1 comentário

Contramão

A vida inteira eu desejei um beijo seu
Olhos em você, minha solidão
Deixei, por isso, minha boca viajar
Te procurando pela contramão

O que eu sabia é
Que te queria e eu
Conseguia imaginando
Não te resisto, não
Nem te conquisto, então
De castigo vou ficando

Já que eu não beijo sua boca
Beijo então
Seu perfume
Seu cigarro
Já que eu não toco o seu corpo
Toco então
Um violão embriagado
O que eu sabia é
Que te queria e eu
Conseguia imaginando
Não te resisto, não
Nem te conquisto, então
De castigo vou ficando

Boca a boca vai mudando
Essa vontade
Seu exército invadindo
O meu país
Até quando o corpo pede
Essa saudade?
Mesmo a ilusão de amor
Me faz feliz

Que gosto terá,
De orvalho no ar
Tabaco ou saliva?
Se fosse importar
Seu gosto de mar,
Amor ou despedida


(Isabella Taviani)

Belle

16 de março de 2010 at 11:44 AM Deixe um comentário

Procura-se uma tampa

Até os mais azarados um dia se encontram no amor. Confesso que eu nunca tive muita sorte com essa coisa chamada “relacionamento”, uns duram mais, outros menos, alguns meses, dias ou, até mesmo, horas…

Há algum tempo li um post no Blog 3xtrinta intitulado: O pára-raio de malucas e pude ver que há mais azarados que eu e, principalmente, homem.
Reza a lenda que toda panela tem sua tampa e, até mesmo quando eu insisto em dizer que sou frigideira, ouço alguém dizer: as mais modernas tem também!
Ok, pode ser que sim! Mas será que eu quero uma tampa mesmo? Que tipo de tampa? E se eu for uma frigideira à moda antiga?
Perderia horas aqui relacionando as tampas prospects que já tive o azar de encontrar por ai, no fundo, torço para ter uma que se encaixe perfeitamente bem, sabe? Aquela sob medida?
Para ser mais exata quero um tampa, igual ao Benjamim, do post, que deixou a maré ruim pra lá e encontrou um amor normal e saudável e se aposentou das malucas.
Acho que igual a ele não existem muitas outras tampas por ai. Encontrar alguém que se encaixe perfeitamente em você, em todos os sentidos, é muito mais que ir à promoções e correr atrás de descontos aos sábados a noite.
Benjamim é a tampa perfeita, sorte da panela que conseguiu encontrá-lo. Quando li fiquei imaginando se havia outro igual por ai. Então escuto alguém dizer: outra tampa assim está comigo. Nossa! Duas tampas perfeitas? Hum, será que há chances de encontrar uma terceira?
Eu prefiro acreditar que sim. No fundo todas nós, mulheres modernas ou não, queremos alguém com esse encaixe perfeito…
Boa procura…
Belle

15 de março de 2010 at 3:14 PM 3 comentários

Santo Guarda-Chuva

Sexta-feira, chuvinha, preguiça de ir trabalhar… Dos males o menor, afinal amanhã é sábado.

Desço em cima da hora de perder o ônibus das 7h30, droga, esqueci o guarda-chuva. Volto! Dúvida: O grande ou pequeno? Sim, em SP ter um bom guarda-chuva é questão de quão mesmo eu vou chegar molhada no escritório…
O maior vai, afinal posso dar sorte de encontrar um bonitão e ter que oferecer uma carona!
Acho que nunca o meu pensamento positivo esteve tão bom!
Entro no ônibus, dois pontos a frente, entra um bonitão! Muita sorte ele sentar do meu lado?
Claro que não! Ele sentou, suspiro, sinto o perfume…
Só a beleza, o terno e o perfume já seriam o suficiente para alegrar minha sexta-feira cinzenta!
Ele ainda conversou comigo!
Alegria da minha sexta: Você pega sempre esse ônibus?
Eu: Sim
Alegria da minha sexta: No mesmo horário?
Eu: Sim
(Eu penso: Ficou monosilábica agora é?)
Alegria da minha sexta: Desculpa te pertubar, sei que você está lendo, muito interessante esse livro, mas é que nunca pego esse ônibus. Vou sempre de carro, mas hoje é meu rodízio e, para piorar, tenho uma reunião às 8h30 e, infelizmente, não consegui acordar mais cedo.
Eu: Entendo, mas você vai descer aonde? Porque ele é bem rápido esse horário.
Alegria da minha sexta: Na Faria Lima.
(Eu penso: Meu Deus muita sorte pra uma sexta-feira só)
Eu: Eu também
Fechei o livro e fomos conversando o caminho todo. Nunca andar de ônibus foi tão interessante!
Chega a hora de descer, que pena! A chuva estava forte. Ele sem guarda-chuva!
Pergunto onde é o prédio dele e digo que vou para o mesmo lado. Ofereço compartilhar e seguimos.
Que perfume, que porte e que homem…
Chegamos ao prédio. Ele agradece e me dá um cartão…
Eu retribuo a troca de contatos.
Ele me dá um beijo no rosto e diz que me liga para tomarmos um café em agradecimento a gentileza.
Meu Deus, não é possível…
E fui trabalhar mais leve, mais feliz…
E naquela sexta-feira o mundo poderia ter desabado que nada tiraria aquela sensação de felicidade.
Ansiosa para o café!
Belle

6 de março de 2010 at 11:13 PM 2 comentários

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