O feriado, a arrumação e o barraco

10 de julho de 2009 at 2:17 PM Deixe um comentário

O que há em comum? Vou explicar…

Há semanas adiando uma arrumação no armário você percebe que a situação ficou insustentável quando se passa a usar o mesmo brinco por não conseguir encontrar outros. Então, com força, coragem e determinação vamos ao que interessa. Uma música bacana para animar, vou tirando tudo e colocando sobre a cama.

Eis que ela aparece, a caixinha vermelha, não quero abrir, sei o que tem dentro e sei que isso vai mudar o rumo do feriado, vou trocar de cd e vou mudar as conversas do dia. Mas não resisto, abro e está lá, tudo, mas ao mesmo tempo mais nada. Lembranças de um passado se encontram ali, fotos, bilhetes em guardanapos de bar, no que foi um box de cigarro, um pedido de casamento…

De um remember animado do cd do Só Pra Contrariar (péssimo eu sei) vou para melancólico Djavan. O dia já não é mais o mesmo… Ao som de “Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro e o pensamento lá em você…” refaço o começo, os dias, as noites, as alegrias, as brigas e o fim. Um lágrima ensaia rolar pelos olhos já úmidos, mas não consigo, porém, o coração doí, aperta e fico pensando no que você (é você mesmo) já fez para esquecer o que um dia fomos NÓS…

Releio os bilhetes, as juras de amor e um pedido seu de “não me magoe nunca”. Engraçado, foi exatamente o contrário. As maiores mágoas do fim ficaram comigo, guardo todas até hoje, cada palavra, cada insulto, cada e-mail, cada ligação, mas também guardo as juras de amor, os “eu te amo”, os planos, sonhos e o pedido de casamento…

Não tenho coragem de jogar nada fora, engulo as lágrimas, guardo tudo na caixinha vermelha, guardo o que ainda resta do amor e volto a arrumar as outras coisas e, quem sabe, a vida. Tudo organizado, caixinha bem escondinha no fundo do armário e lembro de Chico Buarque quando ele diz na música “Uma canção inédita” “Guarde numa caixa preta a tímida canção no fundo falso da gaveta do coração”…

O dia mudou, as músicas mudaram, a conversa com a melhor amiga tomou outro rumo.

São 17h e me dou conta de que a compra feito no supermercado às 10h não chegou. Melhor jeito de acalmar a tristeza é? Brigar!! Ligo e ninguém me atende, então vou até lá. Chegando percebo que não sou a única lesada com a não entrega das mercadorias. Reclamo, brigo e me digo desrespeitada com a falta de incompetência da logística do supermercado. Depois de 20 minutos eles acham a minha caixa de compras e me acompanham até em casa para, finalmente, efetivarem a entrega.

Ah nada como um barraco básico para aliviar as tensões da alma…

Mercadorias guardadas, tudo organizado é hora de pensar na vida e chegar a conclusão de que já está mais que em tempo de colocar no passado muitas coisas…

Mas como diria Ana Carolina na música que inspira o nome do blog: “Sempre chega a hora da solidão, sempre chega a hora de arrumar o armário. Sempre chega a hora do poeta a plêiade, sempre chega a hora em que o camelo tem sede. O tempo passa e engraxa a gastura do sapato na pressa a gente nem nota que a lua muda de formato. Pessoas passam por mim pra pegar o metrô, confundo a vida ser um longa-metragem. O diretor segue seu destino de cortar as cenas e o velho vai ficando fraco esvaziando os frascos e já não vai mais ao cinema.
Tudo passa e eu ainda ando pensando em você…”

O feriado acabou, o armário está arrumado e o barraco resolveu o problema!

Belle

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Era uma vez…

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