Archive for maio, 2010

Mas e eu com isso?

A minha vida nunca foi um mar de águas tranquilas, mas desde janeiro a maré é de pura ressaca. Em 2009, quando minha mãe resolveu tocar a vida dela e casar novamente eu já sentia que as coisas iam sobrar para mim. O problema maior não foi ela casar, mas sim largar nossa casa no interior e ir morar em São Bernardo dos Campos. A pergunta foi: e a minha irmã, de 15 anos? Minha mãe disse: Ela vem morar comigo ou vai morar com você. OK.

Então ela veio morar comigo. Na época eu ainda divida uma kit com uma amiga, mas o espaço ficou pequeno e os meus planos de alugar um apartamento anteciparam-se. Mas alugar não é fácil e nem barato. E se o combinado não sai caro, como diz o ditado, no meu saiu.

O acordo com minha mãe sobre a divisão das despesas parecia certo. Dois meses de procura, mas uma ajuda dos amigos para conseguir o seguro fiança, móveis e louça e, enfim, um canto.

Então fomos, minha irmã e eu felizes para o apartamento novo. Felizes? Ela sim, eu não!

Minha irmã teve uma criação completamente diferente da minha, bajulada pelos pais, teve tudo nas mão. Eu não! Tive que batalhar atrás dos meus sonhos e da minha satisfação. Hoje, formada, dedico isso a mim, só a mim!

Sempre acreditei que quando temos sonhos precisamos correr atrás, assim como ninguém sonha nossos sonhos, ninguém os realiza por nós! É justamente isso que tento passar à ela, mas acho que não está funcionando.

O sonho dela era trabalhar no MC Donald’s, ela foi. Ficou uma semana e disse que odiava trabalhar lá. Aos prantos me perguntou se poderia sair! Claro, eu disse, como poderia deixar minha irmãzinha ser escrava em um lugar daquele? Mas espera! Eu avisei não? Sim, eu avisei.

Mais dois meses procurando outro emprego/estágio tive que fazer terrorismo (no meu pensar, mas realidade nas nossas condições) para conseguir outro urgente. Briguei e ameacei mandar ela ir morar com minha mãe.

Enfim, ela conseguiu algo. Não é emprego dos sonhos, mas aos 16 anos quem tem o emprego dos sonhos? Então ela começou, gostou e, agora, duas semanas depois, já odeia.

Como assim odeia? Eu trabalhei por três anos em uma loja de celular na 25 de Março, de segunda a segunda, com todo o estress e medo que só aquela região consegue ter, mas agüentei. Foi dali que tirei minha sobrevivência, foi dali que comecei minha faculdade, foi ali que fiz amigos incríveis, mas foi dali, principalmente, que aprendi o valor do trabalho, do dinheiro e da necessidade.

Hoje, quando minha irmã me mandou uma mensagem dizendo que não quer mais ficar no trabalho e que precisa da minha ajuda, pensei: mas e eu? Quem ajuda? Ninguém como sempre.

E desde que comecei a terapia vi o quanto me boicotava, o quanto abraço o mundo por insegurança de não ser querida e amada, mas definitiva não preciso disso. Não preciso me afundar no poço do saldo negativo para proporcionar à minha irmã uma vida confortável e segura.

Não sou mãe dela e não posso evitar que ela sinta dor, que quebre a cara, pois ninguém evitou as minhas.

Se eu disser, que a decisão, se ela não ficar no emprego, de mandar ela pra minha mãe está sendo fácil vou mentir. Meu coração está apertado e minha vontade é de desistir, mas não posso.

Por que dessa vez, entre a alegria e a paz de alguém, eu escolho a minha!

A lição para esta semana é dizer não, ser egoísta e pensar em mim!

De coração apertado…

Belle

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24 de maio de 2010 at 11:00 AM Deixe um comentário

Recordações

Fotos, documentos, contratos, cartões, bilhetes em guardanapos…

E foi assim que me deparei outro dia com um passado. Já são quase 24 anos! Nossa, já?

E nesses anos todos foram tantos começos, fins, festas, aniversários, aulas, brincadeiras, caminhos, encontro e desencontros…

O que mais me despertou os pensamentos foram as pessoas! Quanta gente passou por minha vida e quanta gente saiu! Colegas da infância, da escola, do interior e, mais recente, da cidade grande.

Quando parei para refletir os motivos pelo qual me afastei de muitas pessoas me questionei se isso era só comigo ou era uma evolução natural da vida. É? Sinceramente não sei.

Acabei por me culpar. Lembro, por exemplo, de todas as vezes em que fui à minha cidade e deixei de visitar algumas amigas. De todas as vezes em que me deu vontade de ligar ou mandar um e-mail a velhos amigos e não fiz por ficar postergando.

Enquanto arrumava meu arquivo de documentos encontrei o contrato da faculdade e me lembrei de como estou afastada de vários amigos. O que mais doe é que isso aconteceu a menos de cinco meses após o fim.

E se a internet e a conectividade ilimitada nos faz reaproximarmos das pessoas, no meu caso não mudou nada. E se sei de alguns ainda sei alguma coisa é porque deduzo do que leio no twitter, no facebook ou nas fotos que vejo no Orkut.

Sinto tanta falta de várias coisas, momentos, conversas, festas e churrasco…

E a vida passa e mais uma vez levou junto várias pessoas. Por culpa minha talvez, mas só minha?

Enfim, o caminho segue, as pessoas passam, mas ficam as lembranças, as fotos e os contatos de e-mail…

Belle

4 de maio de 2010 at 9:32 AM Deixe um comentário

Help Me

Eu sempre tive uma grande dificuldade em pedir ajuda. Com o passar do tempo percebi que ser a pessoa que resolve tudo não é tão legal e que ser humilde para pedir um help pode ser a solução.

Tudo começou a mudar quando eu quase parei a faculdade porque não tinha grana para fazer o acordo das mensalidades atrasadas. Noites e mais noites sem dormir, chegava ao trabalho com os olhos vermelhos de tanto chorar. Estava apática e desabava no choro só pensar em contar a minha chefe que eu não poderia mais continuar naquele estágio que eu tanto gostava.

Um dia ela chegou e eu estava lendo os jornais e então comecei a chorar, pois tinha que contar. Chamada à sala de reuniões, não tive como escapar e fui sincera ao dizer que ia parar a faculdade porque não tinha dinheiro para fazer o acordo e continuar. Disse que já tinha pensando em todas as soluções possíveis. Ela me perguntou então se eu não tinha uma pessoa a quem pedir ajuda e eu prontamente respondi que não costumava pedir ajuda. Em lágrimas ouvi com alivio quando ela me disse que juntas arrumaríamos uma solução. Alguns dias depois a solução veio e eu pude continuar a faculdade.

Hoje, dois anos depois, formada percebo como compartilhar os problemas (digo compartilhar e não lamentar), pode ajudar.

Resolvi escrever sobre isso porque há poucas semanas precisei novamente de ajuda, mas não financeira e sim emocional. Cansada de tentar solucionar problemas estava a beira de um colapso de nervos tentando encontrar um  apartamento para minha irmã e eu.

Minha mãe resolveu transferir para minha a responsabilidade de cuidar da minha irmã de 16 anos e eu, prontamente, aceitei mais aquele problema para a felicidade das duas e desespero meu.

Nervosa e, de novo, sem conseguir dormir tive um dia tenso no trabalho. Após uma ligação da minha mãe, me desestabilizei, briguei com a estagiária da minha área e fui chamada à “sala da justiça”. Lá mais uma vez desabafei, disse que não agüentava mais tudo aquilo e eu estava a beira de um ataque de nervosos, isso com apenas 23 anos.

Mais uma vez, a mesma chefe, veio ao meu socorro. Graças a ela dei mais um passo e a ajuda agora vai ser maior. Há três semanas comecei a terapia que tanto relutei em fazer por falta de tempo, dinheiro e coragem.

E diante da terapeuta eu disse sim aquela ajuda. É difícil admitir que se precisa de ajuda desse tipo. É mais difícil ainda perceber que eu não me conheço tão bem como achava.

O trabalho está apenas no começo, mas já pude perceber o quanto, todos esses anos, eu agi de forma indiferente a mim.

Aquela que sempre gostou de ser vista como guerreira, corajosa e auto suficiente, na verdade sempre foi só, frágil e sensível por dentro.

Hoje, o difícil não é pedir ajuda, mas reconhecer e aceitar ser ajudada.

A busca pelo auto conhecimento continua. Chegou a hora de pensar em mim!

Belle

2 de maio de 2010 at 11:37 AM 1 comentário


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